Duas vítimas, três vilões

“Uma das coisas que fazem esse conflito ser particularmente difícil é o fato de que o conflito israelo-palestino, a luta árabe-israelense, acontece entre duas vítimas. Duas vítimas do mesmo opressor. A Europa, que colonizou o mundo árabe, o explorou, o humilhou, tripudiou sobre sua cultura, o controlou e o utilizou como um playground imperialista, é a mesma Europa que discriminou os judeus, os perseguiu, os atormentou e por fim os assassinou em massa num crime de genocídio sem precedentes.”

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Grafite em Belém, no muro que divide a Cisjordânia

Esse parágrafo que o intelectual israelense Amós Oz escreveu em seu livro “Como curar um fanático” resume bem o conflito. E aqui se explica o título do post: duas vítimas – árabes explorados pelo colonizador europeu. Judeus exterminados pelo europeu na guerra. Três vilões – obviamente, a Europa, governo israelense e alguns grupos de sionistas que ilegalmente expulsam os palestinos de suas casas e grupos terroristas palestinos e que infernizam a população israelense.

É muito difícil explicar e entender o porquê dos dois lados. Palestinos atacam por que são expulsos de casa, o que lhes dá o direito de não querer negociação. Israel ataca porque também foram expulsos de casa, para onde querem apenas voltar. Como disse no post de abertura desse site: é preciso esquecer o passado e buscar uma solução sem ir lá atrás para encontrar o erro do outro. Todos já erraram um dia. Houve massacre de judeus em Hebron na década de 20. Houve massacre de palestinos lá também na década de 90. Israel começou guerra, árabes começaram guerras. Palestina descumpriu acordos. Israel idem. Arafat errou, Rabin errou. E há coisas sem justificativa: terrorismo, construções de muros, apartheid e invasão descontrolada da Cisjordânia.

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Idem 

Para que se consertem alguns erros é preciso reconhecê-los. Em um ensaio publicado no New York Times em junho de 2010, o já falecido historiador Tony Judt, judeu, destaca o seguinte: “Não admira que Israel tenha adquirido hábitos patológicos. Destes, o mais prejudicial, é o uso da força. O fato deste método ter resultado durante muito tempo leva Israel a ter dificuldades em conceber outras formas de resposta”. Mais a frente, no mesmo texto, ele fala sobre os palestinos: “Abba Eban, ex-ministro israelense, disse que ‘os árabes nunca perderam a oportunidade de perder uma oportunidade’. A postura negacionista dos movimentos de resistência palestinos de 1948 aos anos 1980 não foi benéfica”. A partir dessas duas constatações, pode-se dar início a um entendimento.

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Um comentário sobre “Duas vítimas, três vilões

  1. Salve este novo grande profissional,Raphael Lima.Gostei muito desta matéria. Muito elucidativa.Perfeita explanação sobre estes povos.
    Parabéns meu querido Raphael .

    Um forte abraço do Virmar .

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